primeiro post do ano :D

No mínimo curioso, eu diria. Essa seria possivelmente a definição da festa – melhor dizendo uma tentativa falha de festa- de passagem de ano a qual eu estava presente. Como era de costume, todos os anos, eu e minha família passávamos o ano novo juntos, além de agregados, amigos e parentes de graus aleatórios, que nem fazemos questão de contar. PORÉM, esse ano, como já era de se esperar, o povo tomou juízo e foi-se a caminho da roça (ou melhor… de uma coisa mais interessante). Vamos aos exemplos – usando nomes fictícios, claro:

Dona Chica: Amiga da minha vó paterna desde… bom, desde sempre. Juntas elas formavam uma dupla infalível (apesar da minha vó já não lembrar mais disso, por conta da Alzheimer), e como prova, temos a viagem do século, feita pelas duas e o marido de dona Chica (pois minha vó ficou viúva cedo): o cruzeiro do rei, sim, o rei, Roberto Carlos. Elas também foram pra Europa juntas, mas sacomé né, o rei é o rei e não se fala mais nisso. Mas esse ano dona Chica adimirou-se se (sim, isso é um trecho de Atirei o Pau no Gato) ao descobrir que, talvez, passar o ano novo no aconchego de sua casinha, com seu maridão, seus filhos e netos, seria bem mais interessante. E foi isso que ela fez – debandou-se para seu barraco e não dividiu seu bacalhau conosco (egoísta).

Tia Rômula: Filha de dona Chica, tia Rômula resolveu nos abandonar por uma aventura amorosa. Viúva há muitos anos, a tal arranjou um namoradinho (que, diga-se de passagem, é velho, careca, banguelo e se acha o cantor da night), e agora se acha super jovem, renasceu! A mulher sai todos os dias, vai em barzinho que até eu vou e esse Reveillon, só para continuar sua fama de  cinquentona rebelde, foi para algum fim de mundo passar o ano novo com a família do namô. UHUL HEIN GAROTA, largou seus pais, seu irmão solteirão (que deve ter no mínimo uns 45 anos) e seus dois filhos sem um mínimo de juízo, além de não fazer as sobremesas – e essa foi a pior parte – para uma viagem que, no mínimo, lhe renderia algumas noites de sexo selvagem com o namorado da melhor terceira idade.

Tia Creuza: Essa tia aí é um caso a parte no mundo. Assim como minha mãe, minha tia e tia Rômula, ela viveu nos anos 70. Até aí ok, fazer o que, ser velho não é o problema, e essa foi uma das melhores épocas vividas até hoje 0 – sexo, drogas, roupas coloridas e um pouco mais de drogas . O problema é que, aparentemente, ela ainda acha que está nos anos 70. ALÔOOU QUERIDA, SÉCULO XXI?? Tá. Agora você deve tá imaginando que eu sou ruim e que mães e tias são assim mesmo, mas você não chegou ao pior ponto dessa história: o ser é minha madrinha. Achou pouco? Tá, tem como piorar: ela é enfermeira da minha escola. É, seu infeliz. Agora você me entende né? E tia Creuza, queen of the jungle que só ela, resolveu passar o ano novo no camping (e nesse momento eu penso: vai com Deus, e se divirta com sua marmita fria, enquanto eu como camarão). Pois bem, acho que já basta de falar da tia Creuza.

Esses foram alguns dos peculiares amigos de minha família linda e unida, do qual dos aproximadamente 20 membros, apenas 5 tiveram a decência de passarem a virada do ano juntos.

Agora vamos ao segundo ponto, do qual confesso que fiquei um tanto incomodada. QUAL É A REGRA DE USAR BRANCO NO ANO NOVO? E se eu quiser usar preto, não pode? Vão falar que eu tô chamando a morte. Foi só eu querer dar uma renovadinha esse ano, comprei um vestido meio nude, meio bege (detalhe: fui sutíl, porque branco já vira bege na primeira vez que você usa, então é como se eu tivesse comprado um vestido branco sujo), que eu cheguei na casa da minha tia e ouvi comentários do tipo:

-Nossa! Resolveu ficar rebelde é? Porque não tá de branco, hein? PORQUE?

ou então…

-NÃO QUER PAZ NO ANO NOVO NÃO? Você já não tá cansada de saber que tem que usar branco?

Até aí ok. Ignorei os comentários assim como um internerdético encara a vida social, mas o ápice da noite foi quando meu tio, após lindas rodadas de cerveja, me perguntou:

-Derrubou café no vestido é (não, eu não tinha derrubado café, ele SÓ era bege)? Parece cor de papel velho e sujo, sabe?

É. Adorei ouvir isso do meu vestido novo. Se eu colocasse um vestido verde, iam falar que eu rolei na grama? Se colocasse um vermelho, iam falar que eu menstruei e manchou o vestido? Provavelmente. Mas se eu colocar um branco, vou estar perfeita para a virada. Tá, que lindo isso. A partir dái, já decidi que ano que vem, quem fizer comentários desse tipo leva fogos de artifício no tobas, aí vai ter um tempinho pra pensar no própio rabinho, e não na cor da rouba que eu vou passar a merda da virada. É, pronto, falei.

E você, amigo terráqueo que, assim como eu teve um Reveillon massante e tedioso, sinta-se abraçado. Bom ano novo, tente arranjar amigos para que, no fim de 2010, você possa comemorar a passagem ao lado deles, não ao lado da sua família onde você é a ovelha negra que não gosta de dançar ou ouvir forró. É, essa sou eu. Enfim, boa sorte pra você, e assim terminamos o post, brindando ao ano que se inicia.

e isso foi para você ter pesadelos na sua primeira noite de 2010.

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